Devo cultuar a lua azul…

…lua gigante e lua vermelha?

No último dia 31 de janeiro tivemos uma combinação de eventos astronômicos de tirar o fôlego, visíveis à olho nu: Lua Azul e Lua Gigante ( e em alguns locais do mundo a Lua Vermelha). Com isso a comunidade pagã politeísta ficou em polvorosa, fazendo surgir ritos, feitiços e simpatias das mais diversas para essa data tão especial. Junto do movimento pró “Combo Lunar” surgiu um debate interessante sobre a validade de celebrar tais eventos.

Realizei uma enquete rápida em meu feed do Facebook como pode ver na imagem abaixo:

 

Percebi que um maior número de pessoas discorda da necessidade de realizar ritos especiais nessas datas, em especial nessa. Trago algumas reflexões para podermos explorar nossa percepção em relação ao tema, que desde o velho debate “roda sul X roda norte” é o mais agitado.

Lua gigante

Já falamos sobre a Lua Gigante aqui em nosso blog, acesse este link para acompanhar !

Este é um fenômeno onde nosso satélite natural fica mais próximo da Terra, sendo visível a olho nu, criando um espetáculo em seu nascente e poente ( no zênite – seu pico no céu – não tem muita diferença ao olho). No dia 31 ela estava 14% maior e 30% mais brilhante. Sua força nas marés também fica aumentada.

Lua Azul

É aqui que o Druida torce sua barba car@ amig@. Vamos aos pedaços.

História

Conforme a agricultura foi sendo instalada nos Estados Unidos, hábitos dos povos locais em relação ao clima foram sendo absorvidos pelos colonizadores. Um desses hábitos era colocar nomes relacionados ao clima, à caça e à flora nas luas de cada mês, indo desde a Lua do Lobo em janeiro) até a Lua da Neve em Dezembro (início do inverno). Isso fez parte da cultura popular ate que em 1818 foi fundada a The Farmers’ Almanac, cujo editor chefe era David Young, no estado norte americano do Maine. Foi a primeira vez que as luas mensais foram nomeadas em uma publicação, tornando esse sistema de nomeação ainda mais popular, mais tarde sendo utilizado nas práticas de paganismo.

Um ano possui 12 meses e consequentemente 12 luas cheias, no entanto existe uma diferença de cerca de 11 dias extras no ano lunar, fazendo com que ocorra uma lua cheia extra dentro de um mês solar. Nesse almanaque, a lua extra era chama de “betrayer moon”(lua traidora em tradução livre), sendo lentamente modificada por “blue moon”(que já havia sido usada anteriormente em uma publicação anti clerical, atacando ironicamente os delírios de um cardeal em específico) conforme mais pessoas falavam sobre isso, um termo acabou por sobrepor o outro.

Exemplos:
  1. A lua de Janeiro era chamada de Lua do Lobo e a de Fevereiro de Lua Negra, se houvesse uma lua extra entre uma e outra a do meio seria a Betrayer Moon (mais tarde, Blue Moon – Lua Azul).

  2. A lua cheia de Abril era Lua Rosa e de Maio era Lua da Flor. Uma lua cheia entre ambas seria a Betrayer Moon (mais tarde, Blue Moon – Lua Azul).

Com a popularização dos usos mágicos da lua, a leitura da Lua Azul como sendo uma lua extra entre uma lua e outra do calendário solar se tornou a segunda lua cheia de um mês qualquer. Quando eu comecei na wicca, em 2000/2001 a lua azul era a décima terceira lua do ano, diferente de hoje.

Portanto, originalmente a lua azul foi uma lua extra entre luas do calendário agrícola utilizado nos Estado Unidos atreves da publicação The Farmers’ Almanac, que é editada até os dias de hoje. À medida que o sistema de luas foi se popularizando, acabou por tomar um corpo diferente, sendo então a lua azul, a segunda lua cheia de um mês.

Voltando ao tema central deste artigo: É valido celebrar essas datas?

Sim!

Embora muit@s de nós sejam inclinad@s ao uso do calendário lunar para ritualística, estamos imersos no calendário solar. Nosso trabalho, rotinas, compromissos e vida social são organizados dentro de um sistema de horas, dias, semanas e meses que estão dentro do calendário solar de 365 dias. O próprio sistema de signos está baseado no sol e não na lua, portanto…

Se alguém decidir viver isolado em uma comunidade completamente independente pode ser que consiga estruturar uma vida baseada no calendário lunar, onde não há lua azul nunca, afinal, um ciclo dela possui 13 naturalmente. Caso contrário, teremos sim uma lua extra a cada ciclo.

Mas se é um ritual e meu sistema de práticas for baseado num ano lunar isso muda algo?

Na prática não. Não creio na separação do sagrado e do profano. Tudo esta interligado e é sagrado à medida que o observo dessa maneira.

A realidade é uma: vivemos em um sistema de tempo solar e sofremos suas influências, gostando disso ou não, tendo práticas espirituais alinhadas com isso ou não.

Antes de tudo há de se deixar claro que não precisamos justificar a necessidade de nossas práticas pra ninguém, salvo se estiver dentro de uma tradição específica, aí precisamos nos alinhar com ela. Não perca seu tempo explicando para terceiros aquilo que lhe for sagrado.

Há sim uma egrégora imensa em torno das celebrações lunares e isso ocorre também com fenômenos astronômicos específicos, há um simbolismo forte em celebrar uma lua extra dentro de um ano solar e da lua gigante.

Porque se formos pensar logicamente, que influencia os astros possuem sobre nós? Segundo a ciência clássica, nenhuma, então deixe isso para o campo do símbolo, do oculto, do subjetivo. Há coisas que não devemos racionalizar, só sentir, o amor é assim. Religião é antes de tudo, amor.

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Sacerdote Nathair Dorchadas

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