O fotógrafo Lucas Landau abriu 2018 com um registro absolutamente incrível, a foto de um menino na praia de Copacabana durante a queima de fogos do Réveillon. Um daqueles instantes que nos fazem prender o fôlego e instantaneamente repensar nossa postura frente à vida.

Um menino negro, pobre, abandonado e em situação de rua em contraste com um dos pontos mais badalados do RJ em um de seus dias de maior glória. Mas… será que de fato é isso? Certamente é o que foi visto pela massa inicial. Muitas questões surgiram daí. Uma excelente problematização das questões envolvendo a negritude do menino e as consequentes reações oriundas de um racismo estrutural, hoje o foco do debate sobre essa imagem.

Se o menino fosse branco, será que a reação seria a mesma? Tecnicamente a foto continuaria linda e bem executada, mas perderia seu impacto, principalmente porque temos o impulso de crer que um menino negro só pode estar em situação de fragilidade. Isso precisa ser mudado. Nada naquela foto indica situação de risco, pobreza, abandono ou fome de fato (salvo a subjetividade dos contrastes, que sugere isso de forma quase subliminar), vemos isso porque estamos cheios de preconceito, temos raiva e nem sabemos.

E nossos filtros?

Fotografia é arte, e como tal, deve promover reações diversas e fomentar debates. Pois bem! Eis aqui um ótimo: vemos o mundo através de filtros que nós mesmos colocamos, e consequentemente julgamos as pessoas e suas ações pesando elas com nossas próprias balanças. Essa história não é nova e já ta todo mundo sabendo disso, no entanto, seguimos a vida fazendo diariamente pre julgamentos a respeito de posicionamentos e ações de terceiros, somos incapazes inclusive de poder perceber as nuances daquelas mais próximas à nós. As relações humanas estão cada vez mais descartáveis, amizades duram pouco, casamentos não chegam às bodas e temos nossos celulares quase fundidos às mãos.

Vemos uma mulher de roupa curta: puta

Vemos um homem negro na rua: ladrão

Vemos uma pessoa gorda: descuidada

Vemos um gay: promíscuo

Nossos filtros devem se aplicar somente à nossa própria vida, e para sua saúde mental, revise-os regularmente. Lembre-se sempre: quando você observa uma coisa e conclui coisas a respeito dela,  sempre muitas vezes estão falando mais de você mesm@ do que d@ outr@.

 

Foto de Lucas Landau, disponível nesse link !

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