Então é Natal ! Mas o que tem isso?

 

Recebi pelo menos uma centena de felicitações natalinas nas minhas redes sociais. Recebi inclusive ligações, como não recebia há anos. Deixei de celebrar qualquer festa religiosa que não fosse das minhas ha muitos anos, e isso inclui todos os feridos cristãos.

Receber felicitações não é um problema, não importa de onde venha, um desejo de bênção sempre se entende como honesto e genuíno. Mas então, qual o problema com essa época do ano? A devoção é o problema.

Pagãos de todas as partes compartilham fotos e vídeos de suas famílias em festas cheias de comida e felicidade, o que é lindo sem dúvida, mas anuncia um problema pouco discutido, a entrega às celebrações de sua própria fé. Não lembro de tanta energia desprendida para compartilhar fotos de Beltane ou Samhain, não vejo decorações de Lughnasadh ou Imbolgh, os posts em geral se resumem a breves felicitações ou desculpas de “não tive tempo ainda” nos comentários. O problema não é o Natal, celebre-o com aqueles que ama, o complicado de entender é a falta de cuidado com aquilo que lhe é sagrado.

Não tem textão, não tem selfies e quando muito, temos um altar num canto discretamente decorado. Ninguém se prepara por meses, não convida amigos, não grita ao mundo. Por que silenciamos nossas próprias vozes? Por que temos tão pouco envolvimento e preferimos nos recolher sozinhos para dias tão importantes?

O pagão tem o hábito da solidão, do não compartilhar, e pode estar vendo no Natal a oportunidade de sentir as forças sazonais dentro de si enquanto percebe no outro a mesma reação, o Natal nos une e sensibiliza como poucos dias no ano, mas o Samhain também deveria trazer reflexões parecidas, ou então nosso belíssimo Imbolgh com sua promessa do novo.

No ano que vem eu gostaria de receber mais notícias de empoderamento dos feriados pagãos, mais envolvimento e menos desculpas. Separe tempo em sua vida pra dedicar-se àquilo que lhe é caro e essencial, dedique-se aos seus festivais. Convide amigos, familiares, decore sua mesa, faça pratos tradicionais, grite ao mundo e mostre à ele que não só o nascimento de Jesus desperta o melhor de tod@s nós, mas que somos capazes de vivenciar nossa fé em sua plenitude, nem que seja através de um jantar. Saia da zona de conforto e de trás do altar, ganhe o mundo e opere transformações na sua própria percepção de vida.

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Walonom

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